sábado, 19 de março de 2011

Blogagem Coletiva Mães Internacionais - Parto na Holanda


Mais uma postagem das "Mães Internacionais", tema de hoje é Parto, e eu começo falando como foi o meu lá no Brasil, mas não se desespere, se você busca informações sobre parto na Holanda, aqui também tem! =)

Bom, no dia em que soubemos de minha gravidez (25 de novembro de 2009) surgiu a idéia do parto no Brasil, porque sou filha unica e queria poder dividir esse momento com minha mãe e o resto da familia e porque quase todos os amigos da minha mãe são médicos e eu nunca confiei muito no sistema de saúde Holandes.
Porém essa era uma decisão complicada e que envolvia muito mais doque vontade, eu jamais iria sem o Károly ou se a viagem fosse um risco para o bebe, a decisão definitiva veio no final de janeiro q
uando eu cansei prenatal lixo que estava tendo aqui e já tinhamos certeza de que o Karo podia ir pro Brasil por 40 dias.

Embarquei dia primeiro de maio, o voo foi tranquilo e em São Paulo fui tratada como uma rainha, além de todos os mimos da familia, os médicos que me atenderam foram maravilhosos, sim os médicos, pq além do meu obstetra tive nossos amigos todos por perto, sempre me auxiliando e respondendo minhas duvidas, se não fosse pela saudade que senti do meu amor eu diria que meus dias por la foram perfeitos!

Aqui na Holanda eu sabia que teria um parto normal a qualquer custo, mas no Brasil eu parei pra pensar no que eu queria, e eu queria apenas que tudo desse certo. Meu médico, Dr.João disse que respeitaria a minha vontade e que estava do meu lado pra tudo.
Na 37º semana já tava com os pés e pernas inchando e a pressão alta, o cuidado foi redobrado, sal foi cortado e eu fiquei em repouso quase que absoluto, felizmente meu amor já estava no Brasil e eu bem mais tranquila. Apesar de ter seguido a risca oque meu médico dizia, no finalzinho da 39º semana minha pressão chegou a 16 por 11 e ai não deu mais pra esperar, conversei com meu médico e pedi uma cesárea, ele disse que sem duvida eu estava fazendo a escolha certa, minha mãe teve eclampsia pós parto quando nasci, ficou 17 dias em coma, qse morreu, minha tia teve pré-eclampsia, ou seja o histórico não era nada bom pra ficar arriscando e então minha cesárea foi marcada pra manhã seguinte.

Quarta-Feira, 21 de julho de 2010 às 10:10 da manhã nasceu o meu pequeno, o médico falando com a auxiliar, a anestesista do meu lado, de repente ouvi um chorinho e ele disse "Seja bem vindo Károly, eu sou o Dr.João, esse é a Fatima ela vai te levar pra sua mamãe", a Fatima o colocou ainda sujinho sobre meu peito, ele me olhou com aquela carinha curiosa como quem diz "Ah, então vc é minha mãe", ela o levou pra limpar e nessa hora ele danadinho lhe deu um banho de xixi, ele tava preguiçoso com sono, foi feito o procedimento de identificação, a pediatra ja estava na sala, o examinou e o levaram.
O mais fofo foi que durante todo o parto o Dr.João conversava com meu pequeno, lhe dizendo oque estava acontecendo, que em breve ele estaria do lado de fora e nos braços da mamãe e do papai, lhe contando como estava o dia, como era barulhento e claro o mundo aqui fora, mas que sempre estariamos ao lado dele pra lhe dar atenção, amor, carinho e alimento.
Só de lembrar que me emociono, foi muito carinhoso o modo que tudo aconteceu e talvez por isso me incomode tanto quando umas e outras dizem por ai que cesárea não é parto!

Além de ter sido tudo tranquil, foi também bem rápido, entrei na sala as 09:20, 10:10 ele nasceu, às 11:05 eu já estava a caminho da sala pós cirurgica, não me recordo o horário que eu fui pro quarto pq tava sob efeito de morfina, totalmente ZEEEEEN, aliás, mal me recordo doque falei com o Károly e com os meus pais, eu so queria dormir, acordei as 19:00 pra jantar, as 23:00 pra tomar um bom banho e depois fui até de manhã.

Na manhã seguinte acordei, tomei um banho e fui ver o meu pequeno que estava na UTI, as enfermeiras ficaram surpresas em me ver zanzando pelo hospital, mas de acordo com meu médico isso era o melhor a ser feito, se eu estava me sentindo bem, tinha mais é que levantar mesmo, óbvio que sentia um pouco de dor, era incomodo e rolava uma sensação de que a barriga tava mole, tudo solto, mas eu precisava ver meu pequeno, nessas horas a gente esquece de tudo!

Pok estava na UTI, pq graças ao descaso Holandes durante meu prénatal (ainda posto sobre isso), ele foi exposto a bactéria que causou minha infecção renal e nasceu com uma infecção na pele, era praticamente invisivel mas a pediatra extremamente competente notou assim que o examinou ainda na sala de parto e o encaminhou direto pra UTI onde foi feito os exames e teve inicio ao ciclo de antibióticos, se não tratado o corpo poderia absorver e ele teria uma séria infecçao interna.

Tive alta na sexta-feira, pok ficou por mais 5 dias, doeu na alma sair de lá sem o nosso filhote, mas sabiamos que isso era pro bem dele e no final foi também para o nosso bem, porque tivemos 7 dias para descansar e nos preparar para a chegada dele em casa, durante o tratamento dele passavamos 3 horas no hospital, esse tempo foi o recomendado pelo meu médico, pq eu tb estava me recuperando e não podia ficar pra la e pra ca arriscando pegar uma infecção e desandar tudo.

Sempre fui medrosa e apesar dos relatos de sucesso das minhas tias e primas eu seguia com medinho, na real tinha medo de tudo, das dores pré parto, da "raspagem" que é feita pra limpar a area (sim, eu tinha medo que sei lá, me cortassem, não era bem medo, era aflição haha) de uma possivel episiotomia na hora do parto normal, de uma possivel reconstrução pós parto normal, de entrar em panico com a anestesia raqui no caso da cesárea (tinha medo da sensação de não sentir minhas pernas!), de sentir dor qdo tivesse levando os pontos, de ter piripaque, tremedeira na volta da anestesia e o pior, da cicatrização, nunca tive uma boa cicatrização e tava morrendo de medo de como seria esse pós parto (cesárea ou normal haha) e como ficaria a cicatriz, felizmente deu tudo muito certo e hoje, quase oito meses depois posso até mentir que foi parto normal, a cicatriz praticamente sumiu, é um risquinho bem lá embaixo e eu só tenho boas lembranças do meu parto.

Sim, sou mais uma mulher saudável que fez uma cesárea no Brasil, fiz e faria tudo de novo, antes que me apontem como mais um "vitima" dos médicos preguiçosos que querem ganhar tempo, já aviso que a coisa não foi bem assim, eu até tinha escolha, mas entrar em trabalho de parto e forçar um parto normal com a pressão 18 por 12 (era oque tava quando entrei no hospital) só pra dizer "passei por isso e aquilo, mas meu filho nasceu de parto normal" seria um tanto idiota e extremamente irresponsável, respeito quem o faça, mas pra mim realmente não rola!



Pokbunny lindo nas primeiras horas de vida, já um sucesso!

Parto na Holanda

Dizem que no Brasil as mulheres não tem escolhas e são diretamente encaminhadas pra cesáreas (eu discordo, oque acontece é que muitas mulheres ESCOLHEM uma cesárea), já na Holanda o direito de escolha não existe, desde o prenatal a mulher é obrigada a aceitar oque o sistema oferece, as gestantes são primeiro examinadas por parteiras(verloskundige) e somente em caso de gravidez de risco são encaminhadas aos hospitais onde serão acompanhadas por médicos obstetras.

Mas e se eu quiser ir direto no médico Obstetra? Ai você vai pra qualquer outro pais, porque aqui na Holanda somente com encaminhamento, no caso de gravidez de risco o encaminhamento é direto, em outros casos acaba sendo no decorrer da gestação, alguns casos ainda ficam com as parteiras até o final mas sob supervisao de um obstetra.

A Holanda é o pais do parto domiciliar, em torno de 35% dos partos são realizados em casa pelas parteiras, há todos os tipos de cursos possiveis e imaginaveis para gestantes, inclusive e outros idiomas, e ao contrário doque muitas pessoas pensam, para o parto em casa também existe toda uma preparação, as mães são orientadas como SE preparar e como preparar também o ambiente onde o bebe vai nascer, existem lugares para alugueis de camas e do "kit parto", quem faz o parto é a parteira e uma auxiliar, o pós parto é acompanhado pela auxiliar com visitas frequentes da parteira.

Para aquelas ousadas mas nem tanto, existe a opção de parir em um geboortecentrum ougeboortehotel - que no modo simplificado é exatamente uma "casa de parto" local agradavel e confortável feito especialmente para as futuras mamães que não querem parir em casa ou no hospital, as vantagens é que além de ser DO LADO ou até mesmo dentro de um hospital, o ambiente é mais preparado, com uma melhor assepsia que a casa, os quartos são grandes, confortáveis e a familia tb é bem vinda.

Já paras tradicionais, o velho e bom hospital está lá, mas não se empolgue, como eu já disse no inicio, somente alguns casos vão direto para os obstetras, a grande maioria ainda fica com as parteiras que sempre vão lutar até o o ultimo segundo pelo parto normal humanizado, ou seja, nada de drogas!
Médicos também serão chamados caso seja necessário o uso de forceps ou do vácuo-extrator, as parteiras não têm autorização para usa-los, alias, o uso do vácuo-extrator é bem comum por essas bandas e fazer uma cirurgia de reconstrução do perineo é mais comum doque uma episiotomia durante o parto.

Uma maneira de tentar garantir que certas exigencias serão atendidas durante o parto é fazer Geboortplan - Plano de Parto - No “geboorteplan” a mãe descreve o que seria o parto ‘perfeito’, coloca as suas preferências para o pré, durante e pós parto, esse documento é feito em duas vias, revisado e assinado pelos pais e pela parteira, confirmando o acordo entre as parte, uma via fica com os pais a outra vai para o prontuário da mãe.
A taxa de cesária na Holanda é de 10%, a anestesia peridural ainda não é muito usada e deve ser previamente solicitada pois pode acontecer de chegar no hospital e o único anestesista estar de folga ou ocupado.

Tudo oque sei sobre partos aqui na Holanda eu aprendi nos informativos que recebi durante minha gestaçao (até qdo fiquei aqui) e na comunidade "Grávidas e Mamães na Holanda, onde mulheres brasileiras de diferentes idades e regioes do país relatam suas experiencias como gestantes e mamães, como em qualquer lugar nem tudo são flores, mas tb não dá pra dizer que todos tiveram experiências ruins, lá mesmo na comunidade há muita gente satisfeita que teve um parto excelente.

Minha dica não só para as mamães na Holanda, mas para todas de uma modo geral é respeitar o seu corpo, ouvir o seu coração, se você não está satisfeita com o tratamento recebido mas não pode simplesmente ir pra outro lugar, seja honesta, converse com o profissional que está ao seu lado, médico, parteiras devem respeitar seus pacientes, lhe dar atenção e saciar seus anseios e duvidas!

Não se apegue as historias das outras mulheres, sejam elas boas ou ruins, as pessoas são diferentes e não é pq deu certo ou deu errado pra fulana que vai ser igual para você, escreva a SUA história.
Não crie expectativas, pense positivo, pense que tudo vai darcerto e se algo não sair como gostaria, pense apenas que você está fazendo o seu melhor para trazer ao mundo o seu bem mais precioso, o seu bebe! =)

Também gostaria de dizer que não é o seu parto que vai te fazer uma boa mãe, e sim oque vem depois, as vezes eu sinto uma certa arrogancia em mulheres que tiveram parto normal, um ar de superioridade como se fossem melhores doque aquelas que optaram ou que precisaram fazer uma cesárea, tolice, pq no final estaremos todas no mesmo barco, limpando côcô, acordando de noite e vivendo para aquele pequeno ser que simplesmente mudou as nossas vidas! =)


7 comentários:

Nivea Sorensen disse...

Oi Ingrid,
Eu concordo plenamente que o parto não faz a mãe. Adorei ler sobre a sua experiência e tenho absoluta certeza que se estivesse no Brasil, optaria por uma cesárea, sem culpa. Sendo ela necessária então, para que ficar discutindo?
Um beijo
N.

Claudia Storvik disse...

Ola Ingrid, acho que se tivessemos escolha iriamos todas ter nossos filhos no Brasil... Quanto ao parto na Holanda, muito interessante. Tantas opcoes pra partos naturais mas hospitais que podem nao ter anestesista e plantao! Que absurdo! Bjs

Paula disse...

Oi Ingrid

Que interessante tantos partos domiciliares, confesso que eu acho q teria um pouco de medo mas é uma forma mais natural de ter o bebe. Concordo com vc, nao importa como o bebe veio isso nao vai mudar muito no que vem depois nao é mesmo?

c.enzweiler disse...

Ingrid, que bom você viveu plenamente suas escolhas e isso é tao importante. o outra lado bom é estar com a familia.E a foto do teu pokbunny é liiiinda!!! beijao Carine

Ana Paula - Journal de Béatrice disse...

Ingrid!
Eu estava curiosa para saber um poquinho mais sobre a Holanda, pois o padrão cultural de ter o bebê em casa, é bem diferente daqui. Eu, particularmente, acho bem interessante!
E vc tem razão, não é o tipo de parto que fara a mulher a melhor ou pior mãe. Eu acredito, acima de tudo, que escolhas concientes nos trazem paz de espirito e a sua opção de ir para o Brasil (de arrigão e tudo! corajosa!) e submeter-se à cesarea e com problemas de pressão, seria o melhor caminho.
Obrigada por compartilhar a sua experiência : )
Beijão : )

Ingrid Souza disse...

Ola meninas, adoro essa troca de informações que as blogagens coletivas oferecem, bom receber visitas e seus comentários, bom tb saber que oque postei foi interessante e util! =)
Acho que se for investido um pouco mais em relaçoes pessoais, se for dado mais liberdade de escolha a mulher na hora de decidir pelo profissional que vai fazer seu prenatal e parto, as coisas aqui ficariam perfeitas, estrutura e condições eles tem pra isso, falta mesmo é interesse e competencia, á ouvi gente dizendo inclusive algo do tipo "pra que fazer mais, gravidez não é doença pra precisar de exames o tempo todo, médico e hospital", achei estupido e enquanto as coisas seguirem assim prefiro voar pro Brasil ou pra Hungria (sim, o terceiro mundo lá é como no Brasil haha).

Beijocas e mais uma vez obrigada pelas visitas.

Clarinha disse...

Aff, postei um monte de coisa e o blogspot apagou...Em geral, só queria dizer que o que importa mesmo é nos sentirmos bem com nossas escolhas, né isso? Eu mesma queria parto normal, mas acabou não rolando e eu fiquei um pouco frustrada. Agora, apoio totalmente o direito de escolha. Que isso? Logo na Holanda?