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sexta-feira, 23 de março de 2012

Desabafando - Presentes

ALERTA - POST LONGO 

Esse post é um desabafo de alguém que tá bem cansada desse consumismo desenfreiado!


Pokbunny vira e mexe ganha presente, toda vez que vamos pra casa dos meus sogros ele volta cheio de brinquedos, roupa, minha mãe quando esteve aqui tudo oque via queria comprar pra ele, minhas tias sempre me perguntam se ele não tá precisando de nada, eu entendo, primeiro neto, o queridinho da familia e tals, mas fato é que eu não quero que seja assim pra sempre não!

Acho que presente a gente ganha por merecimento, ganha num momento especial, na minha humilde opinião, o presente que é dado assim, "atoa" só vale mesmo pra depois de adulto (ainda assim não pode ser toda hora senão fica sem sentido ahah), quem nunca gostou de ganhar uma lembrancinha num dia qualquer, é gostoso saber que o outro lembrou da gente e tals, mas oque dá esse gosto hoje é justamente por ter crescido ganhando presente apenas em datas especiais.

Nunca passamos por dificuldades em casa, mas também nunca fomos milionários, meus pais sempre trabalharam e sempre me deram do bom e do melhor, eu tinha roupas de lojas caras, grifes boas porque minha mãe sempre dizia que valia mais comprar um bom casaco doque três baratinho que não duraria nada, o mesmo valia para os calçados.
Mas também tinha aquela coisa, eu tinha uniforme pra escola (que eu tinha que tirar assim que pisava em casa, não tinha esse de ficar o dia todo de uniforme não!), roupa de ficar em casa e roupa de sair, também rolava uma diferença na roupa de sair no dia-dia e a roupa de finais de semana hahahha, ou seja, as roupas mais caras (as de finais de semana!) sempre duravam muito e acabavam indo pros primos toda bonitinha e inteira.

Até mais o menos 93 as roupas e calçados eram comprados conforme a necessidade (criança cresce rápido, vocês sabem), tinha também muita roupa usada vinda de filhos de amigos dos meus pais, vez ou outra minha mãe se derretia por algo na vitrine e acabava levando pra mim. A coisa desandou quando fiquei aborrescente e cheia de vontades (aborrescente é tudo igual) ai cada vez que ia visitar meus pais em SP eu voltava cheia de sacolas de roupas novas, eramos clientes VIP numa loja de roupa infantil, a vendedora ligava pra minha mãe cada vez que chegava coisa nova e ela ia correndo pra lá, cheguei ao ponto de dar roupa com etiqueta porque eu cresci antes de ter tempo de usar, que disperdício!

Os brinquedos formam um capitulo à parte, meu negócio era brincar na rua e como eu morava no interior isso era totalmente possível, brincava na área ou na calçada em frente de casa por hoooooras, eu tinha o básico, uma cozinha, panelinhas, umas *bonecas, durante um bom tempo a minha favorita foi "meu bebê" da estrela, era um bebezão enorme que eu carregava pra baixo e pra cima, com uns sete anos eu desencanei desses brinquedos e queria mesmo era zanzar de bicicleta, patins e ficar correndo na rua, pega-pega, mãe da rua, queimada e afins.

Os únicos brinquedos que eu realmente desejei na minha infância eu não tive hahaha, era uma pipoqueira, chocolateria e sorveteria, pois é, eu era uma criança magra mas já tinha esse pensamento de gorda e só queria saber de brinquedos que pudesse fazer "comida" haha.
Durante um bom tempo eu acreditei que nunca tinha ganhado esses trecos porque eram caros, depois que cresci me liguei que não era nada disso, visto que ganhei coisas no mesmo valor ou até mais caros, nunca ganhei porque a galera não queria saber de me ver fazendo zona na cozinha de casa, olha ae, agora tá explicado o meu pânico quando o Pok começa a zonear a sala e a cozinha!
Eu podia me acabar no quintal, rolar na terra vermelha, fazer altos bolinhos de barro (e comer tudo!), podia encher o vidro de desodorante com água (é, eu não tinha aquaplay também, mas era super criativa, veja só!) e me molhar toda, mas tocar o terror dentro da casa da Nhá Maria, nem sonhando! hahaha. 

Dos meus pais eu ganhava brinquedo três vezes por ano, dependendo do brinquedo eu ganhava uma vez só hahaha, foi o caso da minha bicicleta calói ceci, cor de rosa, liiiiiiiiinda que ganhei em 87, meu pai deu de aniversário, dia das crianças e natal (meu aniversário é dia 6 de outubro, nego sempre me enganava nessa de dar presente de aniversario e dia das crianças!), porém eu tinha meus avós, minhas tias, e ai ganhava mais uns presentes deles, minha tia Lourdes (a mais velha) sempre juntava com minha tia Maria e minha Mãe Gê pra me dar um presente mais caro e tals (é assim até hoje). 

E quer saber, eu fui feliz, eu me lembro de cada presente que ganhei, sério mesmo, me lembro de como pedi, do quanto esperei e da sensação que tive quando finalmente recebi em minhas mãos, me lembro que em 84 (VEJA BEMMMMM, 84) eu pedi uma caixinha de música pro meu pai, naquela época não era a farra que é hoje, que você encontra em qualquer esquina, era um presente caro, delicado, meu pai me explicou que não podia me dar naquele ano, mas que faria o possível pra me dar no próximo, assim ele fez, no meu aniversário de cinco anos em outubro de 85 eu ganhei a tal caixinha, cuja a mesma eu tenho até hoje com a bailarina e tudo.
Essa espera valorizava ainda mais meus presentes, eu brincava e **guardava porque eu sabia que não era uma tranqueira qualquer e é isso que eu quero que o Pok tenha, quero que ele aprenda a valorizar suas coisas, que aprenda que veio de graça pra ele, mas custou pra alguém e ele deve ter respeito por isso, seja caro ou barato, não importa.

Já ouvi e vi muitos pais dizendo que dão ou querem dar para os filhos tudo aquilo que não tiveram, e nessa ansia de querer agradar sempre acabam se perdendo no meio da caminho e criando um ser futil que não dá valor pra nada, eu sei que não dá pra generalizar, que cada um é cada um, mas pelo menos os que eu conheço acabaram assim!

Essa coisa da criança pedir hoje e ganhar amanhã acaba com todo encanto do presente, a criança vai brincar amanhã, depois e assim que aparecer algo novo na TV o velho será descartado, vai virar entulho no canto do quarto e um novo será pedido, é disperdício demais minha gente, tem criança de dez anos que não tem nem meeeeeetade doque tem muitas crianças de 10 meses que eu conheço e isso me deixa passada!

Se fala em fraldas de pano, reciclagem, ecobags, comidas ecologicamente corretas, tudo pra preservar o meio ambiente, pra evitar desmatamento, poluição, mas ao mesmo tempo os filhos são entupidos com zilhões de brinquedinhos de uma fisher price da vida, cada passeio é um brinquedinho novo, todos super bem embalados, muita caixa de papelão, muita tirinha de plástico, folhetinhos de instrução de uso pra criança brincar uma semana e nunca mais olhar pro brinquedo, façameofavor né!

Bora ter conciência, bora dar aos nosso filhos algo bem maior doque aquela mesinha de cheia de botõezinhos que faz barulho (e que vai te irritar muito hahaha), vamos dar a eles conciência, responsabilidades, ensinar valores, vamos brincar no parquinho, vamos contar histórias, reinventar brincadeiras e quando estiverem maiorzinhos e cheio de vontades, vamos explicar que tudo tem sua hora e a hora de ganhar tal coisa é outra, que ele vai ter que esperar e se for o caso, podemos fazer essa espera ainda mais especial, contando os dias no calendário, por exemplo! =)

Não precisa salvar o planeta pra ser um super mãe, salve seu filhote que já tá super bom!

Pra relembrar um pouco dos bons tempos, fotinhos dos meus sonhos de consumo, infelizmente não achei as fotos da sorveteria hahaha.

Imagem retirada da internet
Imagem retirada da internet



E por ai, como foi sua infância, qual o melhor presente, você ainda tem algo guardado, como vai ser quando seu filho começar a pedir presentes, conta, conta... é legal saber dos outros também!

Não se esqueça que pra cada roupa e brinquedo novo, um usado deve ir embora, aproveite o final de semana e faça um faxinão, aposssssto que tem um monte de coisa encostada que pode ser muito útil e fazer outra pessoa bem feliz!

Beijocas e um ótimo final de semana!



*Barbie só tive uma, e como eu não tinha o Ken, ela namorava o Falcon ou um dos GiJoe do meu primo e andava de Jipe dos comandos em ação, eu cortei o cabelo dela e pintei de vermelho com papel crepom porque queria que ela fosse diferente das outras hahah)

**Eu tenho muitos brinquedos guardados, tenho a familia da Peposa (uns ursinhos haha), a batedeira e liquidificador da estrela, pense-bem, o bebezão da estrela e claro, o meu Sniff-Sniff, aquele cachorro de orelhas grandes e cara triste, esse eu carrego pra todos os cantos e ele dorme na minha cama, dia desses faço um post sobre o assunto! hahahaha
Meu primo mais velho (padrinho do pok) tem os GiJoes, uns plaumobills, forte a pache a o robozão do Arthur que era a coisa mais hightech do mundo na década de 80, bem provável que Pok será o herdeiro desses tesouros!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Da Série - Desabafando!


Eu sempre gostei do mês de dezembro, quando criança eu gostava porque era férias, porque as lojas ficavam abertas até mais tade, quando era aborrescente além disso tudo ainda tinha baile do Havai, baladinha de Natal e de Reveillon em Itapecity. Bons tempos aqueles hein, bons tempos, ninguém tinha carro, todo mundo tinha que seguir pra Bullu's ou pro Venancião e ser feliz por lá, ai a galera virou "de maior", as viagens pra praia ou pra outros cantos apareceram, a Bullu's fechou, o Venancião perdeu a graça, até tentaram emplacar com as novas baladinhas, mas a verdade é que nada mais foi a mesma coisa. Eu comecei a ficar em casa e mesmo já tendo perdido metade do tesão pelo mês de dezembro e suas festas, ainda tinha a minha amada nhá Maria que me fazia companhia e ria dos meus comentários amargos, ria também porque eu sabia todas as falas dos filmes biblicos que passava na Grobo na madrugada... coisa de gente ocupada, vocês sabem!

É, mas a nhá Maria se foi também, e Itapecity já não era mais a meu lugar no mundo, dezembro já era, perdi o tesão e resolvi tomar outros rumos, acho que foi ai que meu lado *Grinch dominou hahaha, nunca fiquei amargurada por morar fora do Brasil, não estar em Itapecity festejando com a galera, aliás, vejo nisso uma super vantagem, to aqui no friozinho enquanto a galera tá suando bicas e morrendo de medo da maionese desandar e dar diarréia na familia inteira hahaha. Por outro lado, o caos do tal "final de ano" continua, lojas lotadas de familias alucinadas, as rádios só tocam as mesmas músicas, na TV os mesmos filmes (e aqui nem passa os 10 Mandamentos e afins!) e por fim, todos os protocólos natalísticos de mandar cartão, fazer ceia, fazer isso, aquilo, desejar Feliz Natal até pra aquele ser que você mal conhece mas que sorriu e disse "Feliz Natal!", eu tive um namorado judeu que dizia, "OBRIGADO!" quando lhe desejavam feliz natal, eu quase morria de rir, porque fica na cara que a pessoa que lhe deseja feliz natal quer que você também deseje, mesmo que essa não seja a sua vontade!

Parece que quanto mais velha, mais ranzinza eu to ficando, essa semana fui possuída por uma crise de preguiciti AGÚDA, coisa de ficar de pijama o dia inteiro, não querer pentear o cabelo,(é preguiça mesmo, não é depressão, não se preocupem que desse mal eu ainda não to sofrendo), e ai, chega o namorido e começa falar da lista de compras, dos presentes pra embrulhar, isso e aquilo pro natal, AAAAAAAAAAAAIIII que PREGUIÇA, e eu achando que nosso primeiro natal só os três seria tipo aquele natal que eu passei sozinha tomando meus bons drink e assistindo Sex and the City... pensei comigo, chamo minha amiga aqui, faço uma jantinha, tomamos várias caipirinhas e é isso, SONHO meu, a amiga continua convidada, mas agora tem familia e não basta ter árvore, calendário do advento, tem que ter presente embrulhadinho, tem que ter entrada, prato principal e sobremesa, tem que ter tudo nos conformes, ainda que pokbunny não esteja nem ai pra tal festa aniversário do Jesus (sim, porque talvez vocês tenham esquecido, mas eu ainda lembro que natal é aniversário do nosso salvador e não data especial pra ficar bebado, se entupir de comida e sair por ai gritanto eeeee feliz naaaatal!).

Enfim, o meu lado Grinch tá terrivel, Károly não se conforma, fica dizendo "nossa, mas você tava tão animada!", é eu tava, mas sei lá, conforme vai se aproximando da data eu vou ficando meio sem saco, querendo que acabe logo, é engraçado que eu também sou assim com outras datas, tipo meu aniversário, Páscoa e afins, acho que eu não sou boa em protocólos sabe, não sou boa em fazer oque todo mundo faz porque é assim e ponto,eu gosto de tradição, acho bonito manter certas tradiçoes, mas eu não tenho nenhuma,aliás, tenho, a tradição em não ser tradicional hahaha. Em casa a ceia de Natal sempre foi aquilo que a galera tava afim de comer, teve anos que fizeram perú, tender, chester (aqui na Holanda nem tem Chester, eles nem sabem oque é isso!) e teve ano que teve churrascão,  e eu adoro isso! Sem negar as raizes consultei minha convidada e minha ceia vai ser uma bela feijoada, e teremos caipirinhas e farofa, a meia noite estaremos dormindo ou vendo seriado, ou bebados falando besteira, mas não, não estaremos berrando feliz natal, (cantar parabéns pro Jesus ninguém canta, nééééé), talvez eu assista a missa do Galo, só porque eu sei que minhas tias estarão assistindo e eu vou rir, porque vou lembrar das inumeras vezes que eu dizia pra minha avó "ir na missa ninguém quer, mas ficar ai de regatinha e copinho na mão assistindo o Papa, tá tudo bem!" ele ria e dizia "Ará IngrEde" (sim, minha avó tinha um sotaque bizarro) hahahaha

Ai, ai, vai ter quem diga que to sofrendo de nostalgia, que to assim porque to com saudades do Braza, mas olha, nem é não, saudades, falta, isso tudo eu sinto todo dia, acredito que faz parte da vida de quem está longe daqueles que ama e ainda mais quando alguns seres amados nem nesse mundo estão. O natal não faz piorar em nada esses sentimentos, oque o natal faz piorar é minha paciência, na verdade não piora, apenas encurta, porque seja na Holanda ou no Brasil, é tudo tão superficial, é puro comércio, o povo tá mais interessado em comer, beber, fazer festinha e ganhar presente doque realmente viver o Natal, pior é que passa o Natal e vem Ano Novo e vem aqueles posts toscos de resoluções para o novo ano, todo aquele blábláblá... Zzzzzzzzz

Bom, é isso, eu queria desabafar sabe, falar, falar, já enchi o saco de meio mundo, mas achei que deveria encher também do povo que vem aqui ler esse blog, é bom de vez em quando mostrar que nem tudo são flores, que o saco enche por aqui também, anyway, se você leu até aqui, muito obrigada, se ficou com pena me achando louca, descompensada, infeliz ou coisa assim, não perca seu tempo, tudo vai muito bem, obrigada, eu reclamo, banco a Grinch, mas na real, eu tomei banho, escovei dentes, troquei de roupa, cuidei da casa e dos meus meninos todos os dias. Os presentes estão todos comprados e embrulhados, o cardápio do dia 24, 25 e 26 (é, aqui o povo ainda comemora no dia 26, haja saco) estão prontos, a lista pro mercado também. Em breve estarei toda linda de roupa nova posando pras fotas e matando as mal amadas de inveja, sim, porque eu sei bem que tem uma meia duzia dessas que vivem por aqui fuxicando minha vida e que quando começaram a ler esse post pensaram "Ahhh ela tá mal, bem feito!", to mal não minha filha, to com preguiça isso sim, mas to feliz, feliz e agradecida a Deus, estou feliz por ter a oportunidade de celebrar o natal da maneira que eu quero e ao lado de quem eu amo (e que me ama também), por ter comida na mesa e um teto sobre as nossas cabeças, por ter saúde e paz de espirito.

Acho que ainda apareço por aqui antes do natal, eu não curto protocólo mas fazer votos de um bom natal para aqueles que eu gosto é algo que eu curto bastante e como esse blog é feito pra quem eu gosto, eu devo aparecer com cartãozinho clichê com uma fotos nossa sorridente dizendo "Feliz Naaaatal!"
Beijocas e até logo.

*Grinch, é aquele monstrengo verde que o Jim Carrey interpreta no filme "O Grinch" que todo ano passa na grobo, mas se você nunca viu e tá fim de saber, clica aqui que tem uma breve explicação!